David Goldman, Sean e Lins e Silva num imbroglio internacional

Tanto aqui nos EUA quanto no Brasil o caso já caiu na boca do povo: David Goldman, de New Jersey, quer o filho Sean de volta.

David, americano, trabalhava como modelo e conheceu a estudante de moda Bruna Bianchi na Itália, em 1999. Ela ficou grávida, o casal mudou para os EUA, aonde casaram e tiveram o bebê, Sean. Viveram em New Jersey até o menino completar quatro anos, quando então Bruna foi com o filho, a passeio, para o Brasil. E nunca mais voltou.

David tenta obter a guarda do filho desde aquela época, sem sucesso. Em agosto de 2008 Bruna, casada pela segunda vez com o advogado Paulo Lins e Silva, morre horas após dar luz à uma menina, fruto do segundo casamento.

Parece novela da Janete Clair (é, eu assisti às novelas da Janete Clair, cheias de drama).

Paulo Lins e Silva – o marido brasileiro – após a morte da esposa, imediatamente solicitu e conseguiu a guarda do enteado Sean. E para David Goldman, nada de Sean. O que ele que é pai de Sean não conseguiu em três anos, Paulo Lins e Silva conseguiu em 24 horas.

A justiça brasileira, entre outros absurdos, alega que agora o menino está totalmente integrado à vida no Brasil e ao padrasto, e que seria inapropriado afastá-lo  das pessoas com quem ele vem convivendo há quatro anos.

Gente, a tal Bruna enganou o primeiro marido e realmente sequestrou o filho; alguém duvida disso?
Há documentos em que ela alega não ter falado com o marido antes por receio dele não concordar com a separação ou em dar a guarda total do menino à ela. A velha estória: se não vai de boa vontade, vai à força.A lei que se dane. Tão comum no Brasil, infelizmente.

Agora vou contar outra estorinha, que pouca gente conhece. Nasci na década de 60, quando o Brasil passava por uma intensa perseguição aos comunistas e inimigos do poder militar vigente. Meu pai era comunista, logo vivia sendo perseguido aqui e ali, enrolado com as idéias que defendia e os companheiros idem. Eu era bem pequena quando minha mãe resolveu se separar de meu pai e também cortar meu contato com ele e com a família dele. Depois de alguns anos minha mãe casou novamente – dessa vez com alguém que nao era nada fã de comunistas. Com o tempo a coisa escalou de tal modo que eu não podia falar no nome do meu pai biológico dentro de casa.

É muito estranho você não poder falar das suas próprias origens, não poder conviver normamente com elas. A criança se sente, no mínimo, impura. Criança que é propositalmente impedida  de conviver com as próprias raízes desenvolve culpa e sentimentos de inadequação.

A pior que coisa que um pai ou mãe – quando se separam – pode fazer com o filho é não seguir o que diz a lei no tocante aos direitos da criança dentro da nova situação. Isso vale não somente para as visitas com o pai ou mãe distante mas também para pensão alimentícia e/ou quaisquer outras determinações da justiça.

Não acredito que  Bruna Bianchi tenha tido a intenção de criar essa confusão toda. Mas errou no momento em que descumpriu a lei e agiu conforme achava conveniente. Muitos estão pagando o preço da inconsequência dos atos dela. A dívida maior vai ser paga pelo filho.

Criança gosta de carinho e segurança. Obviamente que após anos de convivência com XYZ qualquer criança quer continuar no ambiente que conhece (salvo casos extremos de abuso físico, moral ou sexual quando o próprio menor, traumatizado, demonstra receio em continuar convivendo com seus adultos “responsáveis”) . Hábito, rotina são coisas importantíssimas na vida da criança.

Eu acho que se perguntarem ao Sean Goldman, hoje, se ele quer viver com o verdadeiro pai a resposta vai ser: “não”. O pai biológico dele é alguem que ele não conhece, afinal de contas. Mas não nos esqueçamos de que essa estória começou errada. O menino tinha sido mantido pela mãe e agora pelo padrasto sem a autorização do pai e contra a lei. Sean foi impedido de continuar o relacionamento com o pai por ter sido sequestrado pela própria mãe, e pela incapacidade da justiça brasileira em fazer cumprir a lei (heim? isso mesmo, eu sei, tu sabes, eles sabem).

David Goldman tem o direito de ter o filho de volta. A justiça brasileira, ao colocar inúmeros empecilhos para dificultar a resolução do caso, só se enrola, e pior, fica com uma aparência a cada dia pior aos olhos do mundo.

David Goldman, se aparenta cansaço físico, não dá sinais de desistência. Diz que vai continuar lutando até conseguir o filho de volta. Eu acho que se isso acontecer – e David e Sean conseguirem ter uma vida feliz juntos – vai ser não apenas ótimo para pai e filho mas tambem uma tremenda vitória da justiça internacional sobre a (in) justiça brasileira.

Infelizmente quem perde mais nessa estória é o menino de oito anos que, hoje, está no conforto da família que o adotou – mas no futuro pode vir a se revoltar tremendamente contra as mentiras, ilegalidades e chantagens emocionais feitas contra ele próprio e o pai.

Psicólogo ajuda, e muito. Mas até que Sean consiga entender por si mesmo o que aconteceu, e fazer paz com os próprios fantasmas, haja tempo.

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Sean e o pai David Goldman


O vídeo acima foi feito pela Forever Searching, organização que se dedica a abrir corações e mentes para o tema importante que é o sequestro de crianças ao redor do mundo. A Forever Searching também desenvolve um trabalho tremendo de apoio às famílias de crianças desaparecidas. Visitem o site deles (em inglês) para saber mais. Ah, sim, como todo a organização sem fins lucrativos, eles sempre precisam de apoio financeiro.

10 Respostas to “David Goldman, Sean e Lins e Silva num imbroglio internacional”

  1. junior Says:

    Bom, eu, como bom brasileiro que sou, consciente e conhecedor da nossa maneira de fazer as coisas, não coloco nem um fio de cabelo no fogo pela moça. Beijos

  2. Ana Luiza Says:

    A justiça brasileira está erradissima, a Bruna errou e errou feio. O Lins e Silva só ganhou pq é advogado e tem costas quentes, mas a lei tem que se fazer valer e esse pai (David) merece ganhar essa luta. Agora,se o Brasil ou melhor, os ministros que tanto pregam a justiça,são os representantes da Justiça,há de se valer o significado verdadeiro da palavra justiça, devolvendo o filho ao pai verdadeiro.

  3. Maurício Says:

    O filho nunca deveria ter saído dos EUA, porém logo após a morte da mãe a justiça jamais deveria ter dado a guarda do menino para o padrasto. O filho deveria de imediato ter voltado para o pai. E a avó deveria pensar mais no neto, ele não é um boneco que pode ser manipulado por jogos egoístas.
    Sou brasileiro e estou na torcida pela justiça, e a justiça é Sean com David nos EUA.

  4. Olivia Says:

    Não acho que tenha algum brasileiro, além da família da avó, que queira que o menino fique aqui. O lugar dele é com o pai. Os avós estao errados, a mãe estava errada, a justiça brsileira errou. Espero que isso seja corrigido. Pra piorar, a situção agora está nas nãos do Gilmar Mendes. Affe! Ponto contra o Brasil.😦

  5. Amanda Says:

    Ainda bem que tudo deu certo!!!
    A justiça tarda mas neste caso, não falhou, no final, é claro!!!!

  6. Cintia Neli Says:

    Um rapaz tão simpático, que irá correr das brasileiras, por conta deste horror!!! Que pena!!!

  7. Revolta! Luto! Says:

    Que vergonha de todos vocês, heim? Pra conseguir uma esmolinha em terra estrangeira, ficam cegos diante de tanta mentira desse gringo safado, vagabundo, que explorou a ex-mulher e ainda queria colocar o FILHO DELA contra ela e, antes que ele lhe tomasse o filho, ela o fez, para garantir a integridade moral da criança, assegurando-lhe educação e moral ilibada. Infelizmente ela morreu e uma apátrida como vocês todos deu de mão beijada o menino para esse imoral (que chantageou a familia da Bruna com uma acusação ridícula, que só poderia ter sido aceita num país que não é sério como os EUA e recebeu em troca, USD150 mil que prontamente gastou sabe-se lá com o quê; nunca visitou o filho; quando a mãe morreu, ele prontiificou-se a capitalizar em cima de um suposto drama com o site, onde aceita doações, ofende a moral da falecida mãe do menino e, grand finale!, vendeu a história para uma rede de televisão) “criar”. Sabem o que vai acontecer? A estóica, parlapatona e imoral grandma é quem vai criar o garoto, sem o menor carinho, sem entender que esse guerreirinho é um BRASILEIRO.

  8. vivendonoexterior Says:

    Há muitos detalhes nessa estória… é recomendado que leia-se o que as duas partes dizem antes de se julgar (o que esse blog tem feito há cerca de um ano). Um fato indiscutível: ao pai, na ausência da mãe, cabe a guarda do filho, gostem ou não a vovó brasileira, o padrasto ou o Lula. A justiça se cumpriu finalmente, e agora é torcer para que pai e filho tenham uma convivência harmoniosa.

  9. Diogo Says:

    Receitinha para fazer um bebe: um homem e uma mulher.
    Receitinha para criar este bebe: um homem e uma mulher
    Na falta de um dos dois é impossivel fazer um bebe
    Na falta de um dos dois a criação fica com o pai OU com a mãe. Não tem lugar de padrasto ou madrasta nesta história.

  10. Diogo Says:

    Nem mesmo vovó, vovô, titio, priminho, etc etc etc.
    Ainda bem que fizeram justiça nesse caso. O garoto foi tarde para os EUA.

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